A arte urbana potiguar tem sua origem numa arte de rua subversiva. Nomes como do artista plástico Marcelus Bobs podem ser mencionados vindos da década de 80, numa ocupação intervencionista das ruas, sendo suas personas os “urbanoídes”, figuras de capuz que eram desenhadas a pincel pelas ruas do centro da Cidade Alta e Ribeira, as figuras que mais tinham visibilidade na rua na época. Esse estilo de arte dividia espaço com outras formas de manifestação da cidade, como dizeres políticos de abaixo à ditadura e críticas às guerras que na época eram ocasionadas.
As pichações e artes visuais escritas e desenhadas nos muros da cidade na década de 90 iriam movimentar outra vertente de público da sociedade, jovens de torcidas organizadas, grupos de bairros tidos como periféricos e adolescentes reproduzindo técnicas do graffiti pela cidade.
Essa relação derivada da arte de rua com o protesto político acaba formando um específico nicho de público admirador de arte, mas não da arte de galerias, ou produzida apenas por pessoas das áreas das belas artes, mas sim numa busca lançada às ruas, pois é nesse meio urbano que aparecem as artes efêmeras, de desconhecidos, ou seja, anônimas, e onde de forma gratuita os transeuntes podem observar as manifestações de arte da cidade em meio aos seus cotidianos.
Nessas ultimas duas décadas essa ampliação da forma de ocupar a cidade tem ganhado adeptos, sendo isso por motivos de relação com protestos e melhorias sociais para suas relações pessoais, sejam esses atos uma leitura como busca de infração ao que um sistema de ordens sofre por manter uma relação de criminalização dos atos artísticos de rua, passando por restrições sociais tanto grafiteiros como pichadores, interventores urbanos que utilizam a cena das ruas como palco de execução de suas obras. A população observa esses atos em grande maioria como sendo infratores ao espaço público, justificativa essa que levaria a uma forte recriminação do exercício lúdico e livre da expressão visual pelas cidades, prova de que a arquitetura carrega em si um fechamento quanto às seguranças públicas, maior que a segurança das pessoas que ali vivenciam o espaço, pois as paredes e monumentos não podem ser interferidos ou modificados, enquanto que a cidade cresce e estende-se desenfreadamente sem o aval ou participação dos habitantes das cidades, fato então que desencadeia uma relação de desigualdade perante as condições de vida propostas no tempo atual.
Dentro deste cenário a industrial cultural tem feito do “graffiti” uma espécie de formalizador das artes de rua, tendo como meta transformá-lo tecnicamente num movimento de arte que possa ser difundido e repassado para jovens que desejem manifestar suas artes como uma relação contínua também com a sociedade. Esse motivo tem levado inúmeros projetos a serem criados em escolas públicas e bairros desassistidos educacionalmente quanto a realizações artísticas, mas a corrupção e o descaso político ainda são as principais barreiras para lidar com uma expressão de arte em constante crescimento, melhorias são esperadas para num futuro próximo, pois vertentes como a da pichação ainda são perseguidas e criminalizadas pelas leis, leis essas que mudaram nesse ano de 2011 para descriminalizar o ato do graffiti e penalizar de forma mais densa o pichador.
A diferença básica da pichação para o graffiti é que a pichação usa letras e o graffiti desenhos, sendo então as duas técnicas subversivas quanto à essência porem nos dias atuais vemos uma aceitação maior quanto o ato de graffitar, enquanto que a pichação é vista em grande maioria pelas pessoas como vandalismo, não sendo entendida ainda sua realização como crítica e estética, uma forma de arte marginal, que é cerne e origem da real desigualdade projetada nas cidades urbanas. Cabe então ao habitante de sua cidade adentrar nesse entendimento estético da modernidade, para saber dialogar e compreender melhor as ações ocorridas em sua região.
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